terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ritmos do tempo

Quando me dizem que o tempo passa depressa eu costumo responder da profundeza da minha racionalidade que o tempo passa sempre ao mesmo ritmo. Os dias têm sempre 24h o que muda é a nossa percepção do ritmo a que o tempo passa.
Se por um lado tenho uma consciência racional que estou aqui há duas semanas e 3 dias, por outro parece que já aqui estou há tanto tempo... Talvez possa enumerar alguns factores que para mim (e talvez para quase toda gente) funcionam como "aceleradores" (da percepção) da velocidade do tempo: a quantidade de trabalho, o estabelecimento de relações de confiança e amizade, a apropriação mental do espaço urbano que me rodeia e daquilo que nele existe, etc... Em suma, acredito que há medida que vários factores de integração positiva nesta nova cultura vão-se estabelecendo com mais segurança, a incerteza e insegurança desvanecem e desaparecem. Por outro lado, inevitavelmente a ligação profunda à cultura portuguesa e ao contexto social onde (quase) sempre vivi vão-se tornando menos centrais para o meu bem-estar. Quase como se começassem a sentar-se no banco para um jogo seguinte. Importa frisar e deixar bem claro que me refiro ao contexto e ao modo de viver e não às pessoas desse contexto! Essas guardas no meu coração com muita estima e lembro-me delas (mesmo de TODAS na sua diversidade!) em várias circunstãncias. Quando o Espírito Santo me ajuda, rezo com amor por elas e pergunto-me como será que vai a sua vida.

Por tudo isso, este tempo todo sem escrever no blog (que garanto a quem quiser que nem me apercebi terem sido 2 semanas!) foi um sinal desses factores positivos que resultaram na "ida para o banco" de uma parte de mim. Por outro lado, também isto significa que cheogu a vez de novos jogadores, apesar de ainda amadores e muito recentes entram em campo e dão aquilo que podem dar. A mim, enquanto treinador, cabe-me conseguir tirar o maior rendimento e harmonia de toda a equipa (banco e campo) e conseguir bons resultados (estar feliz, ter sucesso académico, caminhar e ser testemunho do Amor de Jesus, etc...).

Quanto aos novos jogadores, falo agora um pouco deles...

Novos amigos - Uma graça de Deus

Afinal, das coisas mais importantes na vida são sempre as pessoas que nos acompanham. Ter vindo para a casa que referi no último postfez-me sentir mesmo acolhido num lar. A casa onde estou é partilhada por 4 jovens (incluindo-me a mim) nas traseiras da paróquia. Dos 4, dois são permanentes e 2 mudam todos os anos (normalmente são estudantes) Por agora somos só 3. A 4ª moradora vem da Indonésia (Angela) e vem no final do mês. A casa serve de ponto de encontro, partilha e oração dos jovens da paróquia. Às 5f e domingos temos encontro com jovens, cozinhamos para eles, falamos, fazemos Lectio Divina na capela e rezamos em conjunto. Aos domingos temos 'Sunday lunch' também com jovens da paróquia. O Ric, o jovem (25 anos) responsável pela casa, é um fiel leigo exemplar que dedica a sua vida a Cristo e à Igreja cheio de bom humor, alegria e vontade de amar. A Eleonor (27 anos) é mais reservada e é muito cuidadosa no modo com quer amar aqueles que a rodeiam. Aprecio isso nela!
O Ric, em Setembro, se Deus quiser, vai entrar para o Seminário diocesano desta diocese (Arundel & Brighton). Ainda não revelei nada daquilo que se despertou em mim em Portugal, em termos de vocação ou de experiências de fé e serviço. Achei melhor deixar-me conhecer pelo que sou agora (indubitavelmente marcado pelo que fui e fiz antes) e quando for conveniente partilharei com eles.
No curso de ingles também tenho desenvolvido com a minha classe relações de confiança, partilha, alegria e entreajuda especiais e invulgares comparativamente com outros grupos. Os amigos fazem-me a sentir muito por aqui. Na 6f passada reunimo-nos todos (classe toda, cerca de 12 alunos) e cada um trouxe comida do seu país. Tivemos risotto, sushi (!!!), arroz doce, salada de batata (Alemanha..!), chicken curry (Japão), vegetais cozidos com lucia-lima (Vietname - ÓPTIMO PRATO!!), ales (de Sussex!) entre outras coisas. O grupo é tão bom em termos de convivencia que até os outros grupos reconhecem que o nosso grupo é muito fixe. A malta das ciencias sociais costuma sempre ser muito aberta e amigavel, deve ser por isso que está a correr tudo tão bem nesses campos...

Nova Universidade - alegria no trabalho

Quanto ao mestrado e à Universidde, à medida que vou lendo algumas leituras para o mestrado vou ficando cada vez mais entusiasmado, e entretanto já conheci dois padres por cá que estão ligados a missões na Ásia associadas ao apoio a desastres climáticos. Ambos mostraram-se bastante satisfeitos com a minha possível ideia de associar Alterações Climáticas com Missão Evangelizadora Católica.
As aulas começam a 4 Out e na semana anterior temos um "induction program" bastante completo. Entre cerimónias, "socials", sessões de apresentação dos professores, staff e de esclarecimento do que gostei mesmo mesmo mais, foi da "Migrations Party - Russel King's house". O Professor Russel King é um ilustre professor desta universidade e reconhecido também no estrangeiro no campo das migrações. Convidar assim os novos alunos para uma festa em casa dele (aparentemente tem uma casa muito fixe numa aldeia aqui perto) é um gesto invulgar mas sobretudo extremamente generoso, descontraído e amigável. Apesar de não ser de Migrações (sou Climate Change) é óbvio que não me esqueço dos "jogadores no banco" e, "COME ON", eu já li artigos do senhor! Como poderia não furar para entrar na festa?!

Quanto ao resto da "equipa", haverá novos jogadores a apresentar futuramente.

Por agora quero partilhar uma música que ficou gravada na minha memória, de um dia especial que tive. Sábado passado estive em Londres com o meu irmão e a minha cunhada. Foi bom estar só com eles em Londres a visitar e a conversar entre irmãos. A música vem do musical brilhante, arrepiante e memoravel que vimos ao fim do dia: The Lion King.





(O refrão fez soar a minha campainha - rang my bell - esta manhã com a leitura das Laudes do evangelho de S. João: Quem reconhece que Jesus é o Filho de Deus, Deus vive nele, e ele vive em Deus - tradução muito directa do inglês)

O musical é muito bom: grandes dançarinos, cenários e adereços espetaculares (imaginem os animais todos da selva em palco), vozes claras, potentes e em harmonia, uma banda sonora (da Disney) extremamente bem interpretada. Tudo junto resulta numa experiência memorável e que vale por muito!

O video é em estúdio e o pobre do Simba ficou com pouco espaço para se mexer. Ao vivo é ainda melhor!

Mais virá certamente, e mesmo que não venha, estou mesmo satisfeito assim, anyway.

(tenho de pôr fotos, mas ainda não é desta. O tempo passa muito depressa, mas para dormir parece é bom que cada segundo leve o seu tempo e por isso, tenho de me por a andar para aproveitar os vários segundos desta noite!)

(outra novidade, já biciclo por Brighton a partir de amanhã. Vou passar a ir pa uni de bicleta. Agora é que vou ser o verdadeiro jovem europeu do Norte!

Slumdog Millionaire: Stars In Their Eyes