terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ritmos do tempo

Quando me dizem que o tempo passa depressa eu costumo responder da profundeza da minha racionalidade que o tempo passa sempre ao mesmo ritmo. Os dias têm sempre 24h o que muda é a nossa percepção do ritmo a que o tempo passa.
Se por um lado tenho uma consciência racional que estou aqui há duas semanas e 3 dias, por outro parece que já aqui estou há tanto tempo... Talvez possa enumerar alguns factores que para mim (e talvez para quase toda gente) funcionam como "aceleradores" (da percepção) da velocidade do tempo: a quantidade de trabalho, o estabelecimento de relações de confiança e amizade, a apropriação mental do espaço urbano que me rodeia e daquilo que nele existe, etc... Em suma, acredito que há medida que vários factores de integração positiva nesta nova cultura vão-se estabelecendo com mais segurança, a incerteza e insegurança desvanecem e desaparecem. Por outro lado, inevitavelmente a ligação profunda à cultura portuguesa e ao contexto social onde (quase) sempre vivi vão-se tornando menos centrais para o meu bem-estar. Quase como se começassem a sentar-se no banco para um jogo seguinte. Importa frisar e deixar bem claro que me refiro ao contexto e ao modo de viver e não às pessoas desse contexto! Essas guardas no meu coração com muita estima e lembro-me delas (mesmo de TODAS na sua diversidade!) em várias circunstãncias. Quando o Espírito Santo me ajuda, rezo com amor por elas e pergunto-me como será que vai a sua vida.

Por tudo isso, este tempo todo sem escrever no blog (que garanto a quem quiser que nem me apercebi terem sido 2 semanas!) foi um sinal desses factores positivos que resultaram na "ida para o banco" de uma parte de mim. Por outro lado, também isto significa que cheogu a vez de novos jogadores, apesar de ainda amadores e muito recentes entram em campo e dão aquilo que podem dar. A mim, enquanto treinador, cabe-me conseguir tirar o maior rendimento e harmonia de toda a equipa (banco e campo) e conseguir bons resultados (estar feliz, ter sucesso académico, caminhar e ser testemunho do Amor de Jesus, etc...).

Quanto aos novos jogadores, falo agora um pouco deles...

Novos amigos - Uma graça de Deus

Afinal, das coisas mais importantes na vida são sempre as pessoas que nos acompanham. Ter vindo para a casa que referi no último postfez-me sentir mesmo acolhido num lar. A casa onde estou é partilhada por 4 jovens (incluindo-me a mim) nas traseiras da paróquia. Dos 4, dois são permanentes e 2 mudam todos os anos (normalmente são estudantes) Por agora somos só 3. A 4ª moradora vem da Indonésia (Angela) e vem no final do mês. A casa serve de ponto de encontro, partilha e oração dos jovens da paróquia. Às 5f e domingos temos encontro com jovens, cozinhamos para eles, falamos, fazemos Lectio Divina na capela e rezamos em conjunto. Aos domingos temos 'Sunday lunch' também com jovens da paróquia. O Ric, o jovem (25 anos) responsável pela casa, é um fiel leigo exemplar que dedica a sua vida a Cristo e à Igreja cheio de bom humor, alegria e vontade de amar. A Eleonor (27 anos) é mais reservada e é muito cuidadosa no modo com quer amar aqueles que a rodeiam. Aprecio isso nela!
O Ric, em Setembro, se Deus quiser, vai entrar para o Seminário diocesano desta diocese (Arundel & Brighton). Ainda não revelei nada daquilo que se despertou em mim em Portugal, em termos de vocação ou de experiências de fé e serviço. Achei melhor deixar-me conhecer pelo que sou agora (indubitavelmente marcado pelo que fui e fiz antes) e quando for conveniente partilharei com eles.
No curso de ingles também tenho desenvolvido com a minha classe relações de confiança, partilha, alegria e entreajuda especiais e invulgares comparativamente com outros grupos. Os amigos fazem-me a sentir muito por aqui. Na 6f passada reunimo-nos todos (classe toda, cerca de 12 alunos) e cada um trouxe comida do seu país. Tivemos risotto, sushi (!!!), arroz doce, salada de batata (Alemanha..!), chicken curry (Japão), vegetais cozidos com lucia-lima (Vietname - ÓPTIMO PRATO!!), ales (de Sussex!) entre outras coisas. O grupo é tão bom em termos de convivencia que até os outros grupos reconhecem que o nosso grupo é muito fixe. A malta das ciencias sociais costuma sempre ser muito aberta e amigavel, deve ser por isso que está a correr tudo tão bem nesses campos...

Nova Universidade - alegria no trabalho

Quanto ao mestrado e à Universidde, à medida que vou lendo algumas leituras para o mestrado vou ficando cada vez mais entusiasmado, e entretanto já conheci dois padres por cá que estão ligados a missões na Ásia associadas ao apoio a desastres climáticos. Ambos mostraram-se bastante satisfeitos com a minha possível ideia de associar Alterações Climáticas com Missão Evangelizadora Católica.
As aulas começam a 4 Out e na semana anterior temos um "induction program" bastante completo. Entre cerimónias, "socials", sessões de apresentação dos professores, staff e de esclarecimento do que gostei mesmo mesmo mais, foi da "Migrations Party - Russel King's house". O Professor Russel King é um ilustre professor desta universidade e reconhecido também no estrangeiro no campo das migrações. Convidar assim os novos alunos para uma festa em casa dele (aparentemente tem uma casa muito fixe numa aldeia aqui perto) é um gesto invulgar mas sobretudo extremamente generoso, descontraído e amigável. Apesar de não ser de Migrações (sou Climate Change) é óbvio que não me esqueço dos "jogadores no banco" e, "COME ON", eu já li artigos do senhor! Como poderia não furar para entrar na festa?!

Quanto ao resto da "equipa", haverá novos jogadores a apresentar futuramente.

Por agora quero partilhar uma música que ficou gravada na minha memória, de um dia especial que tive. Sábado passado estive em Londres com o meu irmão e a minha cunhada. Foi bom estar só com eles em Londres a visitar e a conversar entre irmãos. A música vem do musical brilhante, arrepiante e memoravel que vimos ao fim do dia: The Lion King.





(O refrão fez soar a minha campainha - rang my bell - esta manhã com a leitura das Laudes do evangelho de S. João: Quem reconhece que Jesus é o Filho de Deus, Deus vive nele, e ele vive em Deus - tradução muito directa do inglês)

O musical é muito bom: grandes dançarinos, cenários e adereços espetaculares (imaginem os animais todos da selva em palco), vozes claras, potentes e em harmonia, uma banda sonora (da Disney) extremamente bem interpretada. Tudo junto resulta numa experiência memorável e que vale por muito!

O video é em estúdio e o pobre do Simba ficou com pouco espaço para se mexer. Ao vivo é ainda melhor!

Mais virá certamente, e mesmo que não venha, estou mesmo satisfeito assim, anyway.

(tenho de pôr fotos, mas ainda não é desta. O tempo passa muito depressa, mas para dormir parece é bom que cada segundo leve o seu tempo e por isso, tenho de me por a andar para aproveitar os vários segundos desta noite!)

(outra novidade, já biciclo por Brighton a partir de amanhã. Vou passar a ir pa uni de bicleta. Agora é que vou ser o verdadeiro jovem europeu do Norte!

terça-feira, 24 de agosto de 2010








Já vão dois dias sem actualizar as tantas coisas que se têm passado...

Aproveito e coloco mais umas fotos, ainda de domingo, com imagens de Brighton e do restaurante biológico Bills e dos amigos que simpaticamente me acolheram nessa tarde: O Yari (mexicano à esquerda) a Maria (italiana ao meio) e o seu pai (à direita).

Comecei o curso ontem (2f) onde já pude conhecer vários outros estudantes internacionais que também irão fazer mestrado numa área semelhante à minha (Ambiente, Artes, Ciências Sociais).
O grupo é bastante multicultural. Somos 13 e temos gente de: Japão (3), Vietname, Itália (2), Alemanha, Chipre, Chile, Turquia, República Dominicana e Portugal (eu!). Os professores do curso bem como o staff da universidade são extremamente acolhedores e facilitadores. Às vezes até acho que se esquecem que quem manda ali são eles...! Só ainda tivemos 2 dias de curso e já nos estão a pedir para amanhã entregarmos o título de um ensaio e 10 referências bibliográficas. Teremos de depois fazer esse ensaio com 1000 palavras e servirá de teste para o ensaio final que será avaliado.

Entretanto há outra grande novidade: já consegui casa. Fico na casa de jovens católicos da paróquia de S. Joseph (S. José). Seremos 4: O Ric (inglês assistente do capelão da escola sec aqui de Brighton), a Eleanor (inglesa prof de música e teatro na escola primária), a Angela (indonésia estudante na universidade) e eu.
A casa tem um estilo de vida espetacular e muito diferente daquilo que provavelmente encontraria num outro house-sharing com ingleses: a vivência comunitária.

Na casa existem regras ou aspectos, criados e aceites por todos que procuram fazer com que sejamos uma família cristã dentro daquele lar:

- Partilha de refeições o mais regular possível
- Momentos de oração regulares na capela da casa (no sótão há uma capela com espaço de oração e/ou meditação da Palavra de Deus - para quem tiver a pensar em sacrário, não tem. Existe ao lado, na igreja!)
- às 5f oferecemos jantar aos jovens da paróquia e fazemos ou uma discussão, ou noites de oração ou outros eventos,
- aos domingos, depois da missa das 11h30, também almoçamos todos lá em casa, jovens e jovens adultos.
- Partilha de tarefas

A casa fica situada mesmo por trás do presbitério da igreja (há até uma porta do quintal para a igreja!).

Outra bênção providencial que surgiu foi uma bicicleta. Aqui na residência onde estou estão 2 bicicletas no quintal abandonadas há muito tempo. Foram estudantes que as compraram, usaram e não puderam levá-las e por isso deixaram-nas ali. O Mauro (português aqui da residência) disse-me que se eu quiser as podia levar. Estão muito perras e ferrugentas, mas com um arranjozinho voltam a fazer muitos km's nas minhas pernas:) Aqui em Brighton há muita muita gente a andar de bicicleta (o que não é assim tão normal no UK, pelo menos pela minha experiência), há ciclovias e bastantes condições para isso. A cidade não é muito grande mas é o suficiente para não dar para fazer tudo a pé. A bicicleta vai-me dar uma outra vivência da cidade, mais liberdade e poupar 40€ por mês de passe de autocarro!



Deus tem estado sempre ao meu lado sobretudo quando enfrento a solidão. Sem dúvida que Ele não abandona ninguém. Fico muito contente por ter tantas graças a acontecer na minha vida, sabendo bem que não mereço grande parte delas. Começo mesmo a compreender que as recebo não por que o faça para receber (se fosse por aí estava pretty bad), mas porque Ele tem um Amor verdadeiramente generoso e gratuito.

Outra coisa boa a acontecer é o sol. Brighton com sol tem um ar muito muito mais balnear: as suas pequenas casas brancas (como as da primeira foto de domingo, onde moro) o som das gaivotas a toda a hora, o mar verde marinho e a praia limpa e arejada dão-lhe esse ar. Mais ainda se tudo isto for visto ao pôr do sol, que por esta latitude faz do sol um planeta gigante ao cruzar o horizonte, pode-se ficar embebecido com a beleza da paisagem natural, num clima urbano e humano tranquilo e relaxado. WELCOME TO THE SOUTH OF ENGLAND!


Neste final de Verão que claramente já se sente, espero poder continuar a ver estas belezas incriveis da natureza e a caminhar debaixo do sol!
Por agora dedico-me ao curso de inglês das 9 as 4 e a integrar-me plenamente nesta cidade!

domingo, 22 de agosto de 2010

Welcome to England!








Aqui estou eu de volta a este país onde estive durante 1 ano em 2008. Parece estar agora a reentrar numa 'bolha' do passado. Sinto-o pelas casas que passam ao longo da viagem de comboio, pelo céu cinzento e pesado, pela língua inglesa e pelas pequenas reacções das pessoas. Essa bolha é a 'bolha de Durham'!

Não é fácil deixar o nosso país (que no meu caso é soalheiro, tranquilo e relaxado) a família (ainda para mais em periodo de férias com todos os confortos e alegrias) e os amigos (que nem tive tempo de me despedir convenientemente...sorry!) e partir para o desconhecido (frio, cinzento, chuvoso, pouco amigável..como se vê pela foto)
O dia de chegada ontem foi duro que perdurou durante uma longa jornada: começou às 7h30 na Manta Rota, numa pilha de ansiedade que me retirou da cama à força, arrumando, comendo e despedindo da família com o coração cheio de emoção e comoção. Antes do aeroporto ainda houve tempo (e necessidade) de passar pelo mercado da Manta Rota para bolinhos algarvios, despedir interiormente daqueles rostos e expressões tão portuguesas, que naquele momento deixaram em mim um carinho e uma nostalgia tão forte. Depois passar pela CGD de Tavira e finalmente rumar ao aeroporto.
Aeroportos... já estou habituado a despedidas mas não há hábito que reduza as emoções que a separação física gera. Deixar os meus pais para trás nestes momentos é difícil. Creio que seja pelo facto de que no momento de partida, o que há de bom nas relações fica fortalecido e saliente. Ontem claramente senti a ligação forte que existe entre os meus pais e eu e vice-versa. Que alegria!

Foi com essa alegria e com a alegria que Maria me inspirou que dei o último adeus (já a 50m de distância, depois do controlo de segurança!).

The weather...
Outro processo que custa para quem emigra do sul para o norte é a transição do clima. Deixar o Algarve, o mar, a praia, calor é sempre triste, quanto mais se for para vir para este clima. Mal passei o Canal da Mancha vi logo que o clima estava mal, quando começamos a aterrar sente-se quão espessa é a camada de nuvens. Antes de passá-la despedi-me do sol e bebi os últimos raios, já a prever que não o ia voltar a ver como dantes em Portugal.

Passadas as nuvens uma reacção de tristeza e desilusão geral no voo (90% dos passageiros ingleses): "OOOOOHHH..." O tempo está cinzento, chuvoso, escuro e invernoso.
Adeus sol de Portugal.
Ao menos para aliviar o clima vem uma piada (British humour) do capitão: Welcome back to England (seguido de um "Baaaahh..!), the weather is probably not as you expected...(gargalhada geral!)



Jornada longa:
Aeroporto: a visão do aeroporto fez-me perceber a rapariga que em Faro dizia, "why are there so many people queueing for this flight?! WHO THE HELL GOES TO BOURNEMOUTH!!? NOBODY LIVES THERE!! Um conjunto de pavilhões provisórios fazem daquilo um aeroporto.
Do aeroporto para Bournemouth, de lá para Southampton e de lá para Brighton. WELCOME TO BRIGHTON. 3h20 de viagem cheio de pena de ter saído de Portugal e desejando profundamente um lugar para pousar tudo e descansar.
Antes de chegar a casa, ainda foi necessário apanhar outro comboio subir ao campus da universidade, pegar na chave e no material para cama, voltar a descer tudo, debaixo de chuva e a transpirar por todos os lados e finalmente ir para 'casa'.

Finalmente a residência!

Os quartos das residências paracem sempre frios e pouco humanizados. Ora, isto é óbvio de sentir quando se deixa uma casa habitada por uma família, com alegria e muita vivência anterior. Acredito que as casas e os lugares onde se vive transmitem tanto mais "energia positiva" quanto mais estes tiverem marcas claras de vida em alegria e paz de outros que por ali passaram.
Ontem o quarto pareceu-me frio e solitário. Hoje já me sinto mais em casa aqui..! Lembro-me que quando deixei Durham, senti pena de deixar o quarto... ´


Domingo, primeiro dia em Brighton, dia do Senhor

No meio de tantas bênçãos e graças que tenho tido esta foi mais uma delas: começar este ano novo num domingo, dia do Senhor.

Vendo mar pela janela, ainda sentado na cama, enfrento este primeiro dia. Pela chuva vou pela cidade fora que ainda acorda. Sinto falta de relação com outras pessoas. Converso e caminho um pouco com uma pobre old lady inglesa que mete conversa comigo. Puxo pela conversa o máximo que consigo para evitar a solidão. É incrível que destas pequenas conversas, surge logo uma paz e um bem-estar que fortalecem durante umas boas horas...

Brighton é uma cidade 'à beira mar estendida' (mais até do que Lisboa, que no seu caso é à beira-rio), cosmopolita, jovem, descontraída. Vêem-se várias pessoas a correr à beira-mar, famílias com muitas crianças, gente que circula pela cidade, a pé, de bicicleta, de bus ou de carro. A cidade tem vida, história, alegria, tolerância e unidade. Aqui não sinto o 'cada um por si' de Londres ou o 'estrangeiro: não és ninguém nesta terra' de Durham. Sinto-me a apreender a cidade e a começar a fazer parte dela. Já começo a orientar-me, a saber os nomes das ruas e os caminhos para alguns lugares.

Depois de uma caminhada de 1h30 até à igreja St. Joseph, ao entrar na igreja sou logo convidado pela Norry a vir até ao salão da paróquia para tomar chá e biscuitos (so English:D) e conviver com a comunidade paroquial. Senti-me mesmo pegado pela mão por Jesus e levado à paz do Seu coração. Bendito seja o Coração de Jesus que revelou a Sua hospitalidade pela hospitalidade daquela gente.

Talvez não se pense nos ingleses como povo hospitaleiro, porém hoje tive uma demonstração que aqueles fazem alguma diferença. Creio mesmo que os ingleses católicos quebram alguns estereótipos de frieza e individualismo que os ingleses têm. No chá conheci as primeiras pessoas da cidade: uma familia franco-hungara com 4 filhos, o padre Patrick O'Beirne (com quem jantei há pouco) que não sendo o pároco celebrou a missa, um advogado casado com uma inglesa budista, e o seu filho de 8 anos Joe; a Norry, uma senhora muito simpática e preocupada comigo nos seus 60 já um pouco debilitada mas que é a responsável pelo acolhimento e chá, entre outros.

A missa foi mesmo especial. A minha alma estava mesmo sequiosa do Senhor. Os cânticos, a alegria da assembleia em estar ali, a atenção com que seguiam a eucaristia. Estava a chover a potes e a igreja estava praticamente cheia. Os ingleses católicos parecem-me ser bastantes fieis e sinceros na sua relação com o Senhor. Depois da missa há sempre um tempo prolongado de convívio. Não querendo ficar sozinho para o almoço de domingo, enchi-me de lata e fui pedir ao padre se podia almoçar com alguem que ele conhecesse para não ficar sozinho. Ele não conhecia ninguem mas convidou-me logo para jantar. Entretanto vou à ministra de comunhão, Haisel, (com um ar muito simpatico) e faço a mesma pergunta: e esta encaminha-me para a jovem italiana Maria e o namorado mexicano Yari. Curioso que mal a Haisel sai à procura dela, ela entra ao encontro da Haisel. O Espírito Santo que nos guia!

Vamos almoçar com eles e com o pai da Maria que só falava italiano ao Bills: um restaurante alternativo, com comida orgãnica e com um aspecto muito mediterrânico. Senti-me bem lá, pela companhia, pela simpatia dos que me serviam e dos que me acolhiam e pela disposição colorida e saúdavel do restaurante. Fiquei mesmo contente de poder ter estado com eles hoje. Bendito seja Deus pela hospitalidade e disponibilidade daquele casal.

Depois de almoço é tempo de tratar de me instalar: Cartão de telemovel inglês, internet no quarto, curso amanhã, horas, local... Ao fim da tarde (às 6h) aproveito para ir à missa novamente, desta vez a 3 min a pé de casa. A igreja de Santa Maria Madalena. No final não houve missa, mas tive a oportunidade de ter algum silêncio e oração diante do Senhor. Que bom que é viver tão perto do mar, de uma igreja e numa zona tão sossegada! Ainda deu para conhecer o Mike (senhor velhinho irlandês, meio-surdo, que toma conta da igreja) e a Alexia, da Eslováquia, mas que aqui vive há 13 anos.

Aproveito depois para ir tocar no mar. Sentir este mar, esta areia, o cheiro, o lugar. O mar é sempre o mar e este cheira mesmo a mar. Daqui a uns bons meses (no próximo Verão) vou gostar de mergulhar lá!

Entretanto chega a hora de jantar (19h). Vou jantar com o padre Patrick, que não se esqueceu do convite. Vamos até a um restaurante indiano e temos uma longa conversa sobre vários aspectos da vida dele e da minha. O padre Patrick revela-me visões da igreja e do Papa e aspectos da vida dele que me surpreendem muito profundamente. Vejo claramente que não se revê no actual Papa e que desconsidera quase por regra aquilo que ele pensa ou escreve.
Claramente, é muito necessário rezar por este sacerdote. O jantar foi oferecido, e muito contente com esta prenda, despeço-me deste amigo que fiz e volto para casa.

Estes foram os 2 primeiros dias...

A descrição é longa e detalhada, mas é assim que os meus olhos e a minha alma se debruçam sobre o mundo: atentos, pensativos, observadores, registadores.

Faz-me bem escrever assim...
Em paz e ao som de uma chuva torrencial, termino este dia abençoado.

domingo, 1 de novembro de 2009

Voar ao som do clarinete

Um pouco de clarinete. Ando apaixonado pelo som deste instrumento.


Enquanto não suber publicar faixas de música ou videos, segue um link

http://www.youtube.com/watch?v=BxgmorK61YQ

Voltar à Vida



Este fim-de-semana, foi mais um intenso fim-de-semana que me começo a habituar a ter. Parece que este ano, os fins-de-semana são mais intensos, mas também por isso mais recompensadores e cansativos.

Durante estes dias falei e pensei muito acerca de crianças, de fé, de testemunho e de Deus. A formação de catequistas onde estive levou-me a reflectir e a ouvir várias experiências de dar a conhecer Deus às crianças; sobre pedagogia e psicologia infantil e sobre missão e responsabilidade cristã. Senti-me aqui, a dar vários primeiros passos, seguros, claros e acompanhados por uma confiança de Espírito, que me move a viver aquilo em que acredito no meio do Mundo.

Todos os dias, foram também especiais, porque neles foram acontecendo paralelamente outros momentos únicos, que já não vivia há muito tempo.
Na sexta-feira, concerto dos Lusernas no Irish Bar do Cais do Sodré. Apesar de muito cansado, a música folk, cantada com a alma e as raízes deste grupo e da Sara em especial, a presença de bons amigos e o ambiente despreocupado e divertido daquele lugar naquele dia, fizeram-me sentir bolhas de ar no sangue, sentir uma força empreendedora e de identidade (europeia) muito fortes, que me galvanizam por dentro e me despertam para a Vida.

No sábado, depois da formação todo o dia, da missa e do jantar em família com o João e a Rita, decidimos aqui, em família, jogar Trivial Persuit. Que noite incrível de alegria, riso, fair-play, unidade e fraternidade em família. Estar reunido assim em espírito de família e em família, é sem dúvida uma daquelas pequenas coisas da vida que nos alimenta a alma, nos energiza e nos dá fortes motivos para Viver cheio de alegria.

Por fim, hoje, depois do final da formação ainda tivemos oportunidade de conhecer um pouco mais da Manuela e da Júlia sentindo a sua sensibilidade invulgar. O bom destas formações é também a oportunidade de conhecer assim, pessoas que nos aconchegam e nos fazem sentir acolhidos sempre! Jantar de domingo, momento de família, e no final, oração em comunidade, como no Cenacollo!
O Cenacollo, esse lugar incrível, “ o sol do Mundo”, citando Maria, Nossa Mãe, tem um carinho especial de Jesus. Envolvermo-nos nele é também poder receber um pouco desse carinho e dessa harmonia, que Ele dá facilmente àqueles que se disponibilizam para O acolher. Hoje, na Ameixoeira, fizemos um pequeno Cenacollo e planeámos, com muita dificuldade, juntar todos os dias, para rezar o terço e estar em adoração, 20 pessoas. Como será possível nos dias de hoje, juntar 20 pessoas, estudantes, adultos, aposentados, e propor um desafio ao conforto e à disponibilidade de tempo como este?
Só é possível se acreditarmos naquilo que recebemos do Espírito e arriscarmos na radicalidade da mudança. Uma radicalidade que exibe à nossa consciência, a Deus e ao mundo, a integridade do cristão orante. Ser radical nessa escolha, é obviamente difícil, mas traz claramente uma nova força, capaz de transformar as nossas vidas. Estou muito esperançoso por este movimento.

É com esta esperança e com esta alegria de sentir e trazer Deus comigo que senti (de novo) o prazer das pequenas coisas e a alegria da harmonia. Estou em harmonia com Deus, com a Natureza e comigo, e por isso, voltei a encontrar a felicidade da minha vida e o desejo de Viver em abundância.

Dias como estes que vivi motivam-nos e aproximam-nos do que nos rodeia, da Vida em comunidade e ao serviço dos e outros e incrivelmente, deixam-nos mais próximos do Céu através do envolvimento com as coisas do mundo. Aqui está talvez, o segredo para chegar ao Céu… =)

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Inês

Esta mensagem é escrita a pensar em ti!

Foi bom ver como estavas bem, de volta a tua casa. Gostei de me sentir ali, nas tuas paredes, no espaço em que vives e no meio da tua família.

Aquele espaço é sem dúvida especial. Gostei do pôr-do-sol na TUA vista e de ouvir o teu pai (o tom da voz dele cativa a atenção de qualquer um! :D). Vi-o como uma pessoa muito sábia e que foi e vai conhecendo um bocadinho de tudo, porque é essa a atitude que tem perante a vida. Ele gosta de saber, de conhecer e de compreender. É um bom mestre, diria.
Gostei de entrar no teu quarto e de estar com amigos na tua casa. São pessoas especiais a quem, tanto tu como eu, damos imenso valor.

Foi lindo também ver o olhar de tranquilidade (de "agora sim, estás aqui!") e de alegria da tua mãe de ter ali os teus amigos (e a mim também no meio) e de partilhar aspectos da sua vida e da vida do bairro. Adorei saber que havia ali pastores (se vires a última mensagem, verás como me identifico com pastores). Adorei ouvir o nome "Ti Januário" e de saber que o filho vendia jornais na feira das Galinheiras! A forma simples mas conhecedora com que a Teresa o disse, fez-me num segundo imaginar toda essa vida comunitária e rural que outrora existiu na Torrinha.

Senti-me em casa e acolhido: pelo teu pai, pela tua mãe e sobretudo por ti.

Desde o momento em que estacionei o carro e fiquei a contemplar o silêncio e aquela imensidão de vista, até ao fim, quando voltei ao carro e a esta vista, que a minha alma não parou de encher!

Guardo este momento, e quis partilhá-lo aqui contigo e com o mundo.

Aquele apartamento guarda uma história muito especial e marcante :)

quinta-feira, 19 de março de 2009

El cielo gira

Depois de uma noite de reflexão no GJA e de inspiração e leveza com a Inês, encontro o filme "O céu gira" na rtp2.

Uma aldeia perdida em Navarra (julgo) - Espanha - com paisagens, fotografia e pintura espetacular. A conversa do pastor com o corredor (em árabe), a naturalidade da conversa entre velhos de aldeia marcaram-me.

Senti um desejo de acabar a minha vida assim. Senti desejo de um dia ser pastor e viver junto dos animais e da natureza. Sem pensar! Numa douta ignorância ao estilo de Alberto Caeiro.

Este filme está cheio de beleza, de inspiração e natureza. Os planos longos e estáticos deixam fluir a calma e tranquilidade que se vive naquele campo. Homens e natureza (animais e meio) estão em plena harmonia. O pintor Pello Azketa é outro elemento fantástico deste filme (que apenas vi por 20min)

Este blog devia talvez ter no seu nome a palavra coincidência. Ou talvez não porque não acredito nelas. Depois da conversa com a Inês, depois de sorrir com o sonho do clarinete, da natureza e das calças do Senegal (que imagem poderosa:)) depois de pensar que só aos 30 ou 40 vou poder realizar estes sonhos, vem este filme. Sem dúvida que me fez rever naquelas pessoas. Quem me dera poder viver naquela paz e naquela entrega à natureza, aos animais e a Deus (aqueles nem tanto, embora os árabes falassem muito de Alá)...

Hoje sonhei (acordado e meio a dormir :P)

=D

Fica um link para o site do filme

http://www.atalantafilmes.pt/2006/oceugira/index.htm

e algumas imagens





PS- porque é que será que hoje decidi vir ver televisão?! Não há coincidências...

Slumdog Millionaire: Stars In Their Eyes